quarta-feira, 18 de novembro de 2009

Necropsia

o que me resta,
já se foi.

domingo, 15 de novembro de 2009

Falta.

Falta

construí minha vida reunindo informações
destruí a mesma procurando emoções
quando o nada tudo se torna
não resta aonde procurar
e não tem mais
a quem perguntar
nesses então, famosos casos
só se resta uma opção
reerguer-se em vão.

domingo, 27 de setembro de 2009

Fábula da Desesperança


Na casa que pouco aparentava diferenças, escondia em seu interior toda a tristeza do mundo. De noite, diziam seus vizinhos, que até o choro da própria casa se escutava. Chorava devido a tanta maldade que ocorrerá ali. Chorava talvez por frustração, de não ter tido donos melhores. Alguns diziam, que seu choro era um pedido de socorro. Dentro da casa habitavam duas pessoas. Um homem e uma mulher, que volta e meia recebiam visitas. De uma mulher e de um homem, respectivamente. A dona da casa se dizia frágil e abalada com tantas injustiças que ela deveria carregar. O dono, era quieto porém era o que mais sabia das coisas. As coisas porém, não sabiam de nada do dono. Os objetos da casa eram bonitos e bem feitos. No primeiro dia de primavera, havia ali na sala de jantar um cadáver. A dona da casa estava deitada, morta, sobre a mesa de jantar. Nenhum ferimento, nenhum sinal de violência. O dono por sua vez foi preso. Não tinha nada a declarar, sendo assim não chamou nenhum advogado e aceitou sua pena. O feito do suposto assassino fez a juíza encontrar esperança na humanidade, fazendo do dono, um homem livre. Agora, o dono está de volta a sua casa e está silêncio. Silêncio já que não tem nenhuma casa chorando. Silêncio, porque sua mulher agora descança a eternidade. Ao final de suas considerações, o dono da casa grita. Grita como nunca gritou. Grita até ficar sem voz, fazendo um urro degradê. Agora, ele senta em uma cadeira e dorme. Dorme a eternidade.

terça-feira, 25 de agosto de 2009

Atmosfera.


Atmosfera
soltou uma bela
campanha sobre
a beleza
contemporânea

O povo todo
foi escutar
o que atmosfera
tinha a falar
quando ouviram sua proposta:
"Que bosta!"

E então foi banida
atmosfera reprimida
destinada ao fracasso,
mundo escasso

Atmosfera
desistiu de viver
suas idéias passou
a não entender
nada mais parecia certo
seu destino estava perto
de se completar

Então, a dançar
atmosfera a chorar
uma chuva ácida


(Rafael de Toledo - 25/8/9)

quinta-feira, 13 de agosto de 2009

O Doutor e eu. Parte 1.


O doutor e eu


O doutor sentou-se a minha frente. Seu ar inteligente me guiava. O doutor iniciou seu discurso, e ao ouvi-lo senti arrepios, que homem genial! Seu pensamento, seu modo de viver. E eu de pensar que ele era apenas mais um, anti-social. A casa do doutor tinha um ar peculiar, um cheiro próprio, um jeito único. Começamos a andar de novo, dessa vez mais rápido.
- Quero que conheça minha família. - disse o doutor.
Relutei. Sua família ? Seria esse um passo a mais no nosso relacionamento jornalistico ? O que o doutor pretendia ? Relutei de novo.
- O que foi ? Venha ? Isso não é uma entrevista ?
- Sim, sim. Estou indo, doutor.
Passamos por uma porta, que com o seu rangido agudo conseguiu antecipar meus problemas auditivos.Chegamos a uma sala. Era funda porém pequena, havia duas pessoas nela. A gorda é a mãe dele. A tatuada a filha. Que família de merda. O meu respeito pelo doutor diminuiu uma boca. Meu afeto começou a terminar.
- Está é Irene, minha mãe. E essa minha filha, Luís.
- Olá Irene, e Luísa.
- É Luís, senhor.
- Luís ?
- Sim, meus país achavam que eu era um homem.
- Então acho que é por isso que tens cabelo curto!
Ela saiu batendo porta. Não me sai bem. Fui para a segunda tentativa.
- Você e sua mãe tem uma boa relação ?
- Não. Péssima.
E lá se vai a segunda tentativa. Mudei de estratégia, fiquei quieto. O tempo passou na sala, o sofá forrado com um tema africano estava começando a ser desconfortável. Olhei ao meu redor por bastante tempo. O relógio com despertador tocava, pausa, tocava. O doutor falou:
- Então, quando vão publicar a entrevista ?
- Não sei. Breve.
- Acha que vai repecurtir ?
- Talvez. Acho.
Então assim decorreu até o momento em que o doutor perguntou porque eu não ia embora. Fui embora.

domingo, 2 de agosto de 2009

Casal.


Diálogo entre um casal.


- Não sei mais.. onde essa relação está indo.
- Eu.. nunca soube.
- Porra! Vem dizer isso agora? Depois de tudo ?
- E de que adiantaria dizer antes ?
- Iria nos poupar tempo, nos poupar isso.. que estamos vivendo agora.
- Antes tarde, do que nunca.
- Ok, temos que terminar.
- É o que você quer ?
- ...
- É o que você quer ?
- Não desse jeito.
- Então de qual jeito ?
- Não sei.
- Sinto que você não quer terminar.
- Pois se engana. É o meu desejo nesse momento.
- Então, fale.
- Falar o que ? Já está claro que estamos acabados.
- Diga que quer terminar.
- Eu quero terminar.

ELE

Suas palavras não tiveram tanto efeito naquele momento. Já estava tenso pela conversa, e estava apenas revisando as palavras em minha mente.. tentando descobrir onde errei. Nunca descobriria. Talvez porque, não fosse eu.. o errante, mas sim ela. Me sinto idiota, como de costume.

ELA

Não queria terminar. Mas minha honra precisava permanecer intacta. Depois que ele declarou, que nunca soube onde a relação iria, desabei. Precisava de algum jeito revidar, e pronto.. havia ganho a guerra. Ou será.. que havia perdido ?


A POESIA DELE


Não me achava mais
diante deste mar
de horror,
que ela sem parar
continuava a almejar.

Pensava que talvez,
se usasse o português
poderia reatar
e bem
tudo iria terminar.

Mas não consigo,
é difícil
tentar me organizar
diante de tanta tristeza
tanto pesar.

Agora só resta
lutar
e esperar,
o melhor.


Dois jovens andam pela praia. Ele triste, ela também. Não estão de mãos dadas, talvez mentalmente. Talvez não. Ele vai pra esquerda, ela vai pra direita. Acabou, aqui, pra sempre.

domingo, 5 de julho de 2009

Perdido.


Perdido.


Esqueci a minha lucidez,
lá naquela lisergia
encontrei a minha vida
na acidez de todo o dia.

Por onde vou,
nada é real,
por onde ando,
é tudo banal

Minha insanidade,
beira tua realidade,
sem perceber
sigo em terras longíquas
com as respostas na mão.

Equilibrando-me no nada,
perdi a direção,
quando encontrei apoio.

Por onde vou,
nada é real,
por onde ando,
é tudo banal.

Com respostas caídas,
ilusão de desesperança,
agi por desespero.
Não reconheço a mim mesmo,
não reconheço
o país inteiro.

Agora onde vou,
onde vou me encontrar,
se nesta clarividente noite,
busco memórias.


(Rafael de Toledo - 05/07/09)